Os projetos Fotossensível e Ópera na Escola são realizados no Parque Vila Maria, em São Paulo e mobilizam jovens, famílias, organizações sociais e escolas públicas com foco na ampliação do acesso à arte. Os projetos fazem parte de um grupo de ações continuadas no território que desde 2016 são apoiadas pelo Instituto JCA e patrocinadas pela Viação Cometa. “Para os investimentos sócio-culturais no Parque Vila Maria, Zona Norte, temos priorizado projetos de alta qualidade artística e estética e que promovam trocas e vivências entre o IJCA, patrocinador e o território”, afirma Maysa Gil, coordenadora executiva do Instituto JCA.

Fotossensível: ampliando olhares

Promover mais espaços de discussão e manifestação artística para jovens da periferia e despertar uma ferramenta de experimentação dos sentidos. Este é o propósito do projeto Fotossensível, que acontece desde agosto na Casa de Cultura Vila Guilherme, em São Paulo. Trata-se de um curso gratuito de introdução ao universo da fotografia ofertado para 35 jovens de 13 a 16 anos moradores do Parque Vila Maria.  O projeto foi idealizado pela Aymberê Produções Artísticas para o IJCA com o patrocínio da Viação Cometa via ProAC ICMS, programa de fomento à cultura do Governo do Estado de São Paulo.

A curso possui aulas teóricas e práticas, que incluem desde processos químicos relacionados a fotografia, a utilização de câmeras digitais e celulares. Também estão previstas três visitas a exposições em centros culturais, cujos conteúdos serão absorvidos e debatidos ao longo da formação.  Ao final, será realizada uma exposição pública com as fotografias produzidas pelos alunos na Casa de Cultura Vila Guilherme – Casarão.

Samara Souza, 14 anos, é uma das alunas do projeto e se diz apaixonada pela arte fotográfica. Moradora no Parque Novo Mundo, ela estuda do Escola Célia Regina, na qual faz parte do projeto “Rádio do Célia 1.6”, na qual faz cobertura de eventos dentro e fora da escola e postagens nas redes sociais da instituição. “Eu me interessei pelo curso por ser a fotógrafa da escola, por querer ampliar e desenvolver melhor no que eu faço. Vejo o curso como uma oportunidade de melhoria”, afirma a estudante. Para ela, além de desenvolver suas próprias habilidades, ela vê no projeto a chance de se aperfeiçoar para compartilhar o que aprendeu. “Uma das coisas que tenho em mente é passar as coisas que aprenderei sobre fotografia, sobre como a imagem pode ter significados diferentes, para a turma dos mais novos”, salienta.

O projeto Fotossensível também prevê a realização de um curso de fotografia voltado para professores e educadores da rede pública e privada de ensino, com intuito de trabalhar o olhar fotográfico de cada um e fomentar a interpretação das imagens no contexto da sociedade de consumo. A formação, que já está em andamento,  se estrutura em três módulos independentes e complementares, com um total de 12 horas cada.

 

Ópera na Escola: música clássica para todos

Já o projeto Ópera na Escola consiste em apresentações gratuitas de óperas em escolas públicas abertas à comunidade nos fins de semana. Na última temporada realizada de 4 de agosto a primeiro de setembro, foram 12 apresentações com cerca de quatro mil espectadores nas cidades de São Paulo, Araçariguama, São José dos Campos e Pindamonhangaba. No Parque Vila Maria, Zona Norte, foram realizadas 6 espetáculos nas escolas municipais EF Coronel Ary Gomes, EF Celia Regina, EF Paulo Carneiro, na Escola Estadual Heróis da FEB, além de apresentações extras na Fundação Dom Macário, com um total de 450 espectadores.

 

O espetáculo Bastião e Bastiana é uma adaptação da famosa obra do compositor Mozart e conta a história pastora Bastiana, que chora a perda de Bastião, jovem que nega seu amor em nome de uma rica dama do castelo. O projeto é realizado pela Tulipa Produções Artísticas e conta com o patrocínio da Gerdau, por meio do Instituto Gerdau, e Viação Cometa, firmado através da Lei Estadual de Incentivo à Cultura – ProAC.

 

A estreia da temporada foi realizada na EMEF Coronel Ary Gomes, localizada na Jardim Andaraí, Zona Norte de São Paulo. Cristiane Albuquerque, diretora da instituição de ensino, conta que foi o segundo ano que a escola recebeu o projeto. “Nossa escola se localiza em uma comunidade bastante carente e nossos alunos vem de uma ocupação. A gente entendeu como uma oportunidade única conseguir ter um evento como esse na escola novamente. São oportunidades culturais que muitos dos nossos alunos não têm”, afirma.

 

Cristiane calcula um público de 150 pessoas, entre alunos, famílias e profissionais da instituição. “Esse ano procuramos outros meios de divulgação e a escola ficou cheia, muita gente veio assistir. Percebemos que já está criando uma cultura. No ano passado foi a primeira vez de muitos alunos assistindo uma peça de teatro. Esse ano já notamos um aprendizado, uma melhora no comportamento dos alunos para assistir, na interação e na participação das famílias”, analisa.  O projeto também fornece material pedagógico às escolas e desenvolve atividades didáticas vinculadas à obra. “Antes do projeto desenvolve-se uma proposta pedagógica com várias turmas e há todo um envolvimento antes e depois da apresentação”, complementa Cristiane.